Mateus 23.29-39: O juízo do orgulho e da mentira

23.29 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos,

30 E dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas.

31 Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.

32 Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.

33 Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?

34 Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade;

35 Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar.

36 Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração.

37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!

38 Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta;

39 Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.

a) Cerca de 95% dos países do mundo tem prisão perpétua e cerca de 25% tem pena de morte. Quando Deus criou Adão, o avisou que no dia em que comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal certamente morreria. No NT, Paulo escreveu que “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6.23). Semelhante às legislações dos países, o inferno é separação de Deus pra sempre. Não há juízo maior do que quando Deus abandona um pecador resistente.

1. (v. 29-34) “Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?” a) Até agora Jesus pronunciou sete “ai de vós”: obstáculos, exploração, espalhar o mal, juramentos, prioridades, pecado interior e aparência exterior. Na oitava e última denúncia, Jesus fala das perseguições; b) Os religiosos faziam túmulos e enfeitavam monumentos em homenagens aos profetas e justos do passado; c) Admitiam que seus pais os haviam matado e negavam que fariam a mesma coisa. Porém Jesus e a Bíblia diz: “vós sois como vossos pais” (At 7.51); d) O versículo 32 indica que a medida de pecado daquela geração tinha chegado ao limite (ver Gn 15.16); e) O versículo 33 diz: “Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?”. Por todos os “ais” pronunciados, os religiosos estavam condenados ao inferno de fogo eterno; f) Comentando sobre esse versículo, Spurgeon diz: “Jesus não é o amoroso que fala palavras lisonjeiras; o amor verdadeiro muitas vezes obriga um homem honesto a dizer que lhe dói muito mais do que afeta os seus ouvintes insensíveis” (Spurgeon, p.518); g) Jesus enviará vários tipos de mensageiros, com sinais, sabedoria e santos, mas eles serão perseguidos, torturados e mortos (atos); h) Abel foi o primeiro a ser assassinado e Zacarias foi o último (2Cr 24.20-22), considerando que Crônicas é o último livro da Bíblia Hebraica. É o mesmo que dizer “de Gênesis a Apocalipse”; i) Portanto, na maioria das vezes que falamos mal dos outros, logo nos comparamos e nos exaltamos: “eu não faço isso”. Cada um precisa examinar o coração e as ações à luz da Palavra de Deus, orando por misericórdia e transformação. Um bom começo é ver se você não tem o hábito de espalhar o mal, explorar pessoas ou viver uma vida de aparências. O juízo está próximo!

2. (v. 35-39) “Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra” a) Jesus denunciou oito “ai de vós” para os religiosos e agora pronuncia um terrível juízo sobre aquela geração: abandono de Deus, casa deserta e inferno de fogo eterno; b) Observamos nesse trecho princípios bíblicos do juízo de Deus: 1.Os pecados de alguns homens são manifestos, precedendo o juízo; e em alguns manifestam-se depois” (1Tm 5.24); 2. A misericórdia e paciência de Deus tem um limite que não deve ser cheio e um prazo de tempo (v.32; Gn 15.16; Ap 2.21; 2Pe 3.9); 3. Devemos tomar cuidado para nossas palavras não condenarem a nós mesmos (Mt 12.36-37; Lc 19.22; Rm 2.1; 2Sm 12.5-7); c) Observamos nesse trecho princípios bíblicos do juízo de Deus: 4. Cada um é culpado pelo próprio pecado (Ez 18.20). Uma geração pode não continuar os pecados de gerações anteriores e se salvarem (Ezequias, Josias, Esdras e Neemias). Os religiosos foram piores que seus antepassados, pois tiveram maiores privilégios e perseguiram Jesus Cristo e seus discípulos; d) O versículo 36 se cumpriu na destruição de Jerusalém em 70 d.C. (1 milhão de judeus mortos); e) O lamento de Jesus sobre Jerusalém é de profunda tristeza e ternura: “quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas” (v.37); f) Jesus “concluiu com lágrimas, não com escárnio; com choro, não com açoitamento. As denúncias feitas por Jesus partiram seu coração” (Hernandes, p.528); g) A atitude daquela geração é uma forte evidência da liberdade e responsabilidade humana: “tu não quiseste”; h) Israel já começava a experimentar o maior juízo: o abandono de Deus (Rm 1.24-26). O trecho termina assim: “me não vereis mais”, “Jesus ia saindo do templo” (23.39; 24.1); i) Portanto, Deus é amor, mas também é justiça. Não se engane por pecar e não acontecer nada no momento. Deus dá tempo para arrependimento, a hora do juízo é imprevisível, mas é certo que vai acontecer. A decisão mais inteligente é se arrepender agora.

Aplicação: a) Os religiosos enfeitavam os túmulos dos homens de Deus do passado, mas estavam prestes a matar o próprio Filho de Deus e a perseguir a Igreja. Nos dias de hoje: Usa a boca para cantar louvores, mas tem o hábito de mentir ou falar mal do próximo. É dizimista, mas faz negócios desonestos ou não paga os impostos. Diz ao cônjuge que o ama, mas vive a cobiçar ou vendo nudez na internet. Implora por perdão dos pecados a Deus, mas não perdoa a seu irmão; b) Observe que na maioria das vezes que falamos mal dos outros, logo nos comparamos como superiores – “não teríamos matado os profetas” (NTLH). Nestes casos, suas palavras testemunham contra você mesmo; c) Hoje temos vários estilos de Igrejas, várias traduções de Bíblias e muitos tipos de pregadores, e mesmo assim, as pessoas não aceitam. Muito privilégio sempre será acompanhado de muita responsabilidade; d) Normalmente as consequências do pecado não são imediatas, pois Deus dá tempo para arrependimento. Não permaneça na zona de conforto do pecado; e) Os pais têm grande influência nos comportamentos dos filhos, mas cada um é culpado pelo próprio pecado (Ez 18.20). Se você nascer de novo em Cristo, o pecado e os demônios não irão te escravizar. Seja dirigido pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo; f) Uma vida de prática do pecado, traz destruição, juízo e o inferno de fogo eterno. Uma vida de arrependimento te permitirá cantar: “Bendito o que vem em nome do Senhor”. O que você escolhe?